THE FOURTH TURNING – (Parte 01)

Esta publicação irá apresentar o livro “The Fourth Turining, what the cycles of history tell us about America’s next Rendezvous with Destiny” de Willian Strauss e Neil Howe. Este livro aborda a história a partir de uma perspectiva cíclica, tomando como base os próprios ciclos da natureza. A publicação será dividia em duas partes

O INVERNO ESTÁ DEVOLTA

A America sente que está se revelando.

Ainda que vivamos em uma era de relativa paz e conforto, nos estabelecemos em um humor de pessimismo sobre o futuro de longo prazo, com medo que a nossa nação super poderosa está de alguma maneira apodrecendo por dentro.

Nem uma vitória épica sobre o comunismo ou a extensão de um ciclo de negócios melhor pode encorajar o espírito público. As dificuldades da Guerra Fria e do New Deal estão completamente superadas, porém não podemos nos deleitar em seus sucessos. Sentimos a America de hoje pior em seus fundamentos do que aquela que muitos de nós lembramos durante a juventude, uma sociedade presidida por aqueles com supostamente menos consciência. Qualquer lugar que olhemos, de L.A a Washington DC, de Oklahoma City a Sun City vemos caminhos para um presságio ao futuro. Ansiamos por um caráter cívico, mas nos satisfazemos com gestos simbólicos e circos de celebridades. Não percebemos grandeza em nossos líderes, uma nova mesquinhez em nós. Sem espanto que cada nova eleição traga um novo choque, seus resultados uma nova decepção.
A não muito tempo, os USA era mais do que a soma das suas partes, agora é menos. Por volta da Segunda Guerra Mundial, éramos orgulhosos como população e modestos como indivíduos. Menos de 2 pessoas em 10 disseram sim quando questionados você é uma pessoa importante? Hoje, mais de 6 a cada 10 pessoas respondem sim a esta pergunta. Onde uma vez pensávamos nós mesmos como coletivamente fortes, agora nos consideramos autorizados individualmente.

Autoridades da Guerra Fria e do New Deal estão completamente superadas, porém não podemos nos deleitar em seus sucessos. Sentimos a America de hoje pior em seus fundamentos do que aquela que muitos de nós lembramos durante a juventude, uma sociedade presidida por aqueles com supostamente menos consciência. Qualquer lugar que olhemos, de L.A a Washington DC, de Oklahoma City a Sun City vemos caminhos para um presságio ao futuro. Ansiamos por um caráter cívico, mas nos satisfazemos com gestos simbólicos e circos de celebridades. Não percebemos grandeza em nossos líderes, uma nova mesquinhez em nós. Sem espanto que cada nova eleição traga um novo choque, seus resultados uma nova decepção.

Ainda quando exaltamos nosso crescimento próprio, nos damos conta que milhões de pessoas auto realizadas não se somam para uma nação realizada. A confiança popular em praticamente todas as instituições americanas – desde negócios e governos, até igrejas e jornais – continua em queda alcançando novos patamares. A dívida pública aumenta, a classe média diminui, a dependência nos serviços do governo aumentam e argumentos culturais pioram a cada ano. Temos hoje a maior taxa de presos e a menor participação de eleitores de qualquer grande democracia. As estatísticas nos informam que muitas tendências adversas (crime, divórcio, aborto, aptidões escolares) tenham talvez chego aos níveis mais baixos, mas não estamos assegurados disto.

O otimismo ainda se liga ao indivíduo, não mais a família ou a comunidade. A maioria dos americanos expressam mais esperança para os seus próprios prospectos do que para os seus filhos – ou para a nação. Os pais tem um grande temor que o sonho americano que esteve perfeitamente presente para os seus pais e de uma certa forma para eles, não estará lá para os seus filhos. Jovens famílias estão chegando aos trinta e cinco anos sem nunca ter sabido quando os USA esteve no caminho certo. Pessoas de meia idade olham para suas pequenas poupanças e ínfimas pensões, zombam dos fundos de aposentadoria, e tentam não se obcecar na dificuldade que suas velhices poderão se tornar. Os idosos separados em seus próprios mundos de lazer refletindo sobre a virtude perdida da juventude e tentando não pensar no futuro.

Percebemos nosso desafio cívico como algum vasto, insolúvel cubo de Rubik (cubo mágico), atrás de cada problema há outro problema que deve ser resolvido antes, e atrás deste tem outro, e outro, ad infinitum. Para resolver a criminalidade, temos que consertar as famílias, mas antes disto temos que resolver o bem estar social e isto significa arrumar o orçamento, o que significa arrumar o espírito civil, mas não podemos fazer isto sem arrumar os padrões morais, o que significa arrumar as escolas e igrejas o que significa arrumar o núcleo das cidades, o que é impossível se não resolvermos a criminalidade. Não há suporte no qual apoiarmos uma política inicial. Pessoas de todas as idades sentem que algo enorme terá que varrer os USA antes que este desanimo possa ser retirado – mas está é uma consciência que suprimimos, como nação estamos em uma grande negação.

Enquanto vamos tateando em busca de respostas, imaginamos se as analises estão confirmando nossa intuição. Como o paciente que toma dezessete tipos de medicamentos enquanto lê atentamente seus exames, achamos difícil parar e perguntar, do que se trata a doença secreta? Como podemos trazer as forças da natureza para nos ajudar? Não há uma escolha entre controle total e desespero total? Lá no fundo abaixo do emaranhado de tendências, suspeitamos que nossa história, biologia ou a própria humanidade tenha algo simples e importante para nos dizer, mas não sabemos o que é. Se alguma vez soubemos, já esquecemos.

Aonde quer que estejamos caminhando, a America está se desenvolvendo em maneiras que a maioria de nós não gosta ou não entende. Individualmente focada porém coletivamente desorientada, imaginamos se estamos caminhando em direção a um precipício. Estamos?

TUDO ISTO ACONTECEU ANTES

A recompensa do historiador é localizar padrões que recorrem no decorrer do tempo e descobrir os ritmos naturais da experiência social. Na verdade, no cerne da história moderna existe um padrão extraordinário: Nos últimos cinco séculos, a sociedade Anglo Americana tem entrado em uma nova era – uma nova virada – a cada duas décadas aproximadamente. No início de cada virada as pessoas mudam a maneira que se sentem sobre si mesmas, a cultura, a nação, e o futuro. As viradas vem em ciclos de quatro. A duração de cada ciclo completo dura o período de uma vida humana, aproximadamente oitenta a cem anos, uma unidade de medida que os antigos chamavam saeculum. Juntos, as quatro viradas do saeculum compreendem os ritmos sazonais da história de crescimento, maturação, entropia, e destruição.

  • A Primeira Virada é a Alta, uma era otimista de instituições fortalecidas e individualismo enfraquecido, quando uma nova ordem cívica é implantada e os valores do antigo regime decaem.
  • A Segunda Virada é um Despertar, é uma era apaixonante de reviravolta espiritual, quando a ordem cívica é atacada a partir de um regime com novos valores.
  • A Terceira Virada é a Revelação, é uma era deprimida de fortalecimento do individualismo e enfraquecimento das instituições, quando a ordem cívica antiga cai e o regime de novos valores se implanta.
  • A Quarta Virada é uma Crise, uma era decisiva da reviravolta secular, quando o regime de valores impulsiona a substituição da ordem cívica antiga por uma nova.

Cada virada vem com o seu humor característico. Esta mudança de humor sempre pega as pessoas de surpresa. No Saeculum atual, a primeira virada foi a Alta Americana das presidências de Trumam, Eisenhower, Kennedy. Assim que a Segunda Guerra Mundial chegou ao fim, ninguém previu que a America logo se tornaria tão confiante e institucionalmente poderosa, porém tão conformada e espiritualmente complacente. Mas foi isto que aconteceu.

A Segunda Virada foi a revolução da consciência, alongando-se desde as revoltas nos campus na metade dos anos 60 até as revoltas contra os impostos no início dos anos 80. Antes de John Kennedy ser assassinado, ninguém previu que os USA estava prestes a entrar em uma era de liberação pessoal e cruzar uma divisão cultural que separaria tudo pensado e dito depois de tudo pensado e dito antes. Mas foi isto que aconteceu.

A Terceira Virada tem sido a Guerra de Culturas, uma era que começou o “Morning in America” do presidente Ronald Reagan na metade dos anos 80, e deve acabar aproximadamente em 2005, dentro de oito a dez anos. Em meio à ostentação dos primeiros anos de Ronald Reagan, ninguém previu que a nação estava entrando em uma era de tendência nacional e decadência institucional. Mas é onde estamos.

Grandes mudanças no humor nacional como estas já ocorreram antes? Sim – Várias vezes. Os americanos já vivenciaram algo parecido com esta atitude reveladora atual? Sim – Várias vezes nos últimos séculos.

As pessoas com seus oitenta anos podem lembrar um humor anterior que foi muito parecido com este de hoje. Eles podem relembrar dos anos entre Armistice Day (1918) e a grande quebra de 1929. Euforia sobre um triunfo global militar, durou dolorosamente pouco tempo. Otimismo anterior sobre um futuro progressista deu espaço para uma era do Jazz, Niilismo, cinismo dominante sobre grandes ideais. Chefes se vangloriavam nos guetos de imigrantes, a KKK no sul, a máfia no coração industrial, e os defensores do americanismo nas inúmeras cidades médias, sindicatos atrofiaram-se, governos enfraqueceram-se, terceiros eram a fúria, e um mercado dinâmico conduzia novas tecnologias de consumo (carros, rádios, telefones, máquinas de venda) que tornaram a vida ser complicada e frenética de um novo modo. Os prazeres arriscados de uma nova geração “perdida” chocou os adultos de meia idade cruzados da “decência” – muitos deles “radicais cansados” que estavam então moralizando contra o detrimento da “década malva” de sua juventude (os anos de 1890’s). Opiniões polarizaram entorno de questões culturais sem compromisso como drogas, família, e decência. Enquanto isso, pais esforçavam-se para proteger uma nova geração de crianças estilo escoteiros (que hoje tornaram-se os idosos atuais).

Neste tempo, os detalhes eram diferentes, mas o humor oculto assemelha-se com o qual os americanos sentem hoje. Veja o que Walter Lippmann escreveu durante a Primeira Guerra mundial:

Estamos inquietos nas profundas raízes do nosso ser. Não existe uma relação humana, que seja pais e filhos, marido e mulher, trabalhador e empregado, que não se mova em uma situação estranha. Não estamos acostumados a uma civilização complicada, não sabemos como nos comportar quando contato pessoal e autoridade eterna desapareceram. Não existem precedentes para nos guiar, nem sabedoria que não foi direcionada para uma época mais simples.

Vamos mais para traz agora, para uma era lembrada pelos americanos mais antigos ainda vivos quando os idosos de hoje eram crianças pequenas. No fim dos anos 1840 e início dos anos 1850 os USA se direcionou para um novo ânimo desagradável. A guerra mexicana imensamente popular tinha apenas acabado em um triunfo entusiasmante, mas as comemorações sobre o território ganho não durou muito. Cidades cresceram de maneira má e a política com ódio, imigração explodiu, especulação financeira cresceu, e as ferrovias e exportações de algodão liberaram um novo mercado com imensa força que desestabilizou comunidades. Ficando sem respostas, os dois principais partidos (Whigs e Democratas) foram lentamente se desintegrando. Um grande debate sobre a expansão da escravidão para o Oeste surgiu entre os então chamados Southrons e abolicionistas – muitos dele espiritualistas de meia idade que nos anos mais eufóricos de 1830 e 1840 aventuraram-se no transcendentalismo, comunidades utópicas, e outras cruzadas estimuladas por jovens. Faculdades começaram a implorar por estudantes, enquanto uma geração insolente correu para o Oeste na busca por ouro em municípios famosos por sua violência. Enquanto isso, uma geração de crianças que cresceram com um regime que deixou visitantes da Europa perplexos, os quais uma década antes, queixavam-se da selvageria das crianças americanas. Parece familiar?

A Quarta Virada é a grande descontinuidade da história, ela acaba uma época e inicia outra. A história é sazonal, e o inverno está chegando. Como o inverno da natureza, o inverno Saecular pode vir cedo ou tarde. Uma Quarta Virada pode ser longa e difícil, ou breve e severa, ou (talvez) modesta. Porém, como o inverno, não pode ser contornado, ele deve vir em sua hora. Aqui, em resumo, é o que os ritmos da história moderna advertem sobre o futuro dos USA.

A Próxima virada deve chegar logo após o novo milênio, no meio da década 2000. Próximo do ano de 2005, uma faísca repentina irá catalisar um animo de Crise. Remanescentes da velha ordem social irão desintegrar. Credibilidade política e econômica irá implodir. Verdadeiras dificuldades irão cercar o território, com grande sofrimento que pode envolver questões de raça nação, e império. Ainda assim, este período trará sementes de renascimento social, os americanos compartilharão de um sentimento de remorso sobre erros recentes – e um novo consenso resoluto sobre o que fazer. Sentir-se-á que própria sobrevivência da nação estará em jogo, em algum momento antes de 2025, os USA passará por um grande portal da história proporcional a Revolução Americana, Guerra Civil, e as emergências gêmeas da Grande Depressão e Segunda Guerra Mundial.

O risco de catástrofe será muito grande, a nação poderia irromper em insurreição ou violência civil, partir-se geograficamente ou sucumbir a regras totalitárias. Se houver uma guerra, é bastante provável que seja uma de risco e esforços máximos – em outras palavras, uma guerra total. A cada quarta virada registramos um grande avanço em tecnologia de destruição e na disposição humana de usá-los. Na Guerra Civil, as duas capitais teriam certamente incendiado uma a outra caso tivessem em mãos os meios para fazê-lo. Na Segunda Guerra Mundial os USA inventou uma nova tecnologia de aniquilação, a qual a nação pôs rapidamente em ação. Desta vez a America entrará numa quarta virada com meios para infligir horrores inimagináveis, e talvez irá confrontar inimigos que possuem o mesmo.

Ainda assim, os americanos entrarão a quarta virada com uma oportunidade única para atingir uma grandeza como pessoas. Muitos perderam a esperança que os valores que eram novos nos anos 1960 estão hoje tão entrelaçados com a disfunção social e decadência cultural que eles não conseguem mais nos levar a nenhum lugar positivo. Durante a atual era de Revelação, isto é provavelmente verdadeiro, porém na atribulação da Crise isto mudará. Assim que a velha ordem social dará passagem, os americanos deverão desenvolver uma nova, o que irá requerer um consenso de valores e, para administrar isto, a delegação de poder a um novo e forte regime político. Se tudo ocorrer bem, poderia ser um renascimento da confiança cívica. As respostas da America pós-crise estarão tão organicamente inter conectadas quanto às perguntas pré-crise de hoje parecem estar entrelaçadas sem esperança. Em 2020 a America poderia se tornar uma sociedade que é boa, pelos padrões de hoje e também uma que funcione.

Deste modo, a quarta virada pode acabar em apocalipse – ou glória. A nação pode ser arruinada, sua democracia destruída, e milhões de pessoas espalhadas ou mortas. Ou a America poderia entrar em uma nova era dourada, triunfantemente aplicando valores compartilhados para melhorar a condição humana. Os Ritmos da história não revelam o resultado da Crise que está por vir; tudo que ela sugere é o período e dimensão.

Não podemos impedir as estações da história, mas podemos nos preparar para elas. Agora, em 1997, nós temos oito, dez, talvez doze anos mais para nos prepararmos. Então os eventos começarão a tomar escolhas fora das nossas mãos. Sim, o inverno está chegando, mas o caminho através deste inverno é nossa escolha.

O silvo das tempestades da história podem trazer o pior ou o melhor de uma sociedade. A próxima quarta virada poderia literalmente nos destruir como uma nação e como pessoas, nos deixando amaldiçoados nas histórias daqueles que sobreviverem e lembrarem. Por outro lado, poderia enobrecer nossas vidas, nos elevar a uma comunidade e inspirar atos de heroísmo consumado – ações que crescerão em como lendas citadas por nossos ascendentes no futuro distante.

“Existe um ciclo misterioso nos eventos humanos” observou o presidente Franklin Roosevelt em meio a Grande Depressão. “Para algumas gerações muito é dado. De outras gerações muito é esperado. Esta geração tem uma reunião marcada com o destino”. O ciclo permanece misterioso, mas não precisa vir em total surpresa. Ainda que o cenário e resultado sejam incertos, o cronograma está estabelecido: A próxima Quarta Virada – A próxima reunião marcada da America com o destino – certamente iniciará em aproximadamente dez anos e terminará em aproximadamente trinta anos.

Como podemos oferecer a esta profecia tamanha confiança? Porque tudo isto já aconteceu antes, muitas vezes.

TEORIAS DO TEMPO

Desde o Grim Reaper¹ dos cristãos até a ensanguentada Kali² dos Hindus, a humanidade tem visto o tempo de uma maneira sobria. Nos damos conta que o tempo deve finalizar em nossa dissolução e morte. Sua passagem é destinada a aniquilar tudo que seja familiar sobre nosso presente – desde prazeres triviais como uma xícara de café pela manhã até as maiores construções de arte, religião, ou política. “O tempo e seu envelhecimento” observou Aeschylus, “sobrepõe sobre todas as coisas similares”.

Através dos milênios, o homem desenvolveu três maneiras de pensar sobre o tempo: Caótico, Cíclico, e Linear. A primeira foi a visão dominante dos homens primitivos, a segunda das civilizações antigas e tradicionais, e a terceira do Ocidente moderno, em especial os USA.

No Tempo Caótico, a história não tem nenhum caminho. Os eventos seguem-se de maneira aleatória, e qualquer esforço em dar sentido a sucessão dos eventos é sem esperança. Esta foi a primeira intuição do homem aborígine, para o qual mudança no mundo natural estava totalmente além do controle e compreensão humana, é assim também como a vida e o tempo é vista por uma pequena criança. Através do último século, várias linhas ligadas ao caótico ganharam influencia sobre nossa sociedade – desde a cultura popular do “Just do it” até os niilismos desconstrutivos do ambiente universitário.

O resultado prático em curto prazo do tempo caótico é que ele dissolve o tecido conectivo da sociedade. Se causa e efeito não tem mais uma ligação no tempo, as pessoas não podem mais ser responsabilizadas moralmente sobre suas escolhas. Nada iria legitimar as obrigações dos pais para com os filhos, os vizinhos para com a comunidade. Esta é a razão pela qual nenhuma sociedade ou religião nunca deu mais que um pequeno e limitado reconhecimento ao tempo caótico – nem mesmo o Budismo, no qual todos que não conseguem atingir o nirvana mantêm-se sujeitos ao reinado do karma.

O Tempo Cíclico se originou quando os antigos fizeram as primeiras ligações entre os ciclos naturais dos eventos planetários (rotações diurnas, meses lunares, anos solares, mudanças zodíacas) com ciclos de atividades humanas relacionados (dormir, acordar; gestação, nascimento; plantio, colheita; caça, banquete). O Tempo Cíclico conquistou o tempo caótico pela repetição, pelos pais, ou caçadores, ou fazendeiro fazendo a ação correta no momento correto no circulo perpétuo, muito similar com o que os deuses e deusas faziam uma determinada ação durante os primeiros círculos dos tempos místicos. Eventualmente grandes cíclos marcaram a duração de reinados e profecias, a chegada de profetas e shamans, e o envelhecimento de vidas, gerações, e civilizações. O Tempo Cíclico não tem fim, ainda que completo indefinidamente e renovado, propulsionado por rituais elaborados lembrando feriados sazonais modernos.

Diferentemente do Tempo Caótico, o Tempo Cíclico dotou as sociedades clássicas com uma dimensão moral prescrita, uma medida pela qual cada geração poderia comparar o seu comportamento com o de seus ancestrais. Aqueles que acreditam em ciclos poderiam engajar no que o antropólogo Lévy-Bruhl chama de uma “participação mística” na recreação divina na série de eventos eternos da natureza. O poder que este conceito tem exercido na humanidade é expressado por monumentos colossais a tempos recorrentes (os obeliscos, pirâmides, ziguratos, megalitos) tantas sociedades arcaicas deixaram para trás. Ainda que a crença no tempo cíclico sobreponha a visão caótica primitiva, deixa menos espaço para o que as pessoas modernas pensam como originalidade e criatividade. “Para as sociedades tradicionais, todos os atos importantes da vida eram revelados ab origine por deuses ou heróis. Os homens precisavam apenas repetir estes gestos exemplificados e pragmáticos ad infinitum”observa a estudiosa em religião Mircea Eliade.

Então qual é a alternativa? Insira uma terceira opção: Tempo Linear – Tempo como uma estória única (e geralmente progredindo) com um início e um fim absoluto. Deste modo, a humanidade começou a aspirar o progresso. Na civilização greco–romana, a visão cíclica do tempo era pontuada por alusões de melhoramentos humanos.

A visão linear precisou de centenas de anos para se estabelecer, mas quando conseguiu, mudou o mundo. Na Europa medieval, o tempo unidirecional como apontado pelos primeiros cristãos permaneceu uma idéia relativamente arcaica, entendida completamente apenas por uma pequena elite de clérigos. Mas no século 16, a Reforma e a distribuição do evangelho impresso conduziu a uma nova urgência (e aplicação popular) a história linear. Pessoas normais começaram a especular sobre os sinais históricos da segunda vinda (e última) de Jesus Cristo e começaram a inventar novas seitas de acordo com as suas expectativas sobre isto. Dois séculos depois, o Iluminismo transmutou a visão linear em uma fé secular complementar, o que o historiador Carl Becker chamou de “a cidade celestial dos filósofos do século dezoito” – a crença no progresso indefinido na ciência, economia, e política.

No fim no século dezenove, com a revolução industrial indo de vento em popa, o dogma ocidental de história como progresso atingiu o seu apogeu. Como um credo religioso, um dogma positivo, ou uma ciência evolucionária, que não deveria ser questionada. A edição de 1902 de The Cambridge Modern History explicou: “Estamos seguros em assumir como uma hipótese científica na qual a história está por ser escrita, um progresso nas questões humanas. Este progresso deve inevitavelmente ser em direção à algum fim”. “O progresso era Providência”, foi como o senhor Acton descreveu mais tarde a visão predominante Vitoriana. “A não ser que haja progresso não poderia haver Deus na história.”

Os primeiros assentamentos ingleses no Novo Mundo começaram como um posto avançado do Calvinismo radical e o Iluminismo radical. Sem surpresa, os USA acabou encorporando a expressão mais extrema de progresso linear. Os primeiro exploradores europeus viram frequentemente nesta nova porção de terra – esta nova El Dorado, Nova Atlantis, ou Utopia – uma oportunidade autêntica para refazer o homem, e com isto por um fim na história. Da mesma maneira sucessivas ondas de imigrantes encontraram-se como construtores de uma Nova Jerusalem milenar, inauguradores de uma nova era revolucionária da razão, defensores do “Novo País escolhido por Deus”, e pioneiros a serviço de um Destino Manifesto. Anteriormente no mesmo século Herbert Croly escreveu sobre um “nacionalismo progressivo” e James Truslow Adams sobre um “Sonho Americano” para se referir a esta fé cívica no avanço linear. Eles sugeriram que o tempo fosse o aliado natural de cada geração sucessiva. Deste modo cresceu o dogma do excepcionalismo americano, a crença que esta nação e seu povo se livrou de qualquer risco do regresso cíclico.

Ao longo do tempo, o tempo linear teve sucesso em suprimir o tempo cíclico. A muito tempo atrás, o tempo cíclico superou o tempo caótico, mas nos séculos mais recentes o primeiro foi derrubado e vencido. A vitória da visão linear não foi imediata tampouco absoluta, por exemplo o principal do ritual cristão – a celebração anual da morte e ressurreição do salvador – ainda assemelha-se aos rituais regenerativos de meio inverno das religiões arcaicas suplantadas. Mas por alguns graus o tempo cíclico como uma fé viva tem sido empurrado cada vez mais para a escuridão.

Esta supressão data desde os primeiros cristãos que tentaram desenraizar o paganismo baseado no calendário, denunciaram ciclos clássicos e puxaram para baixo divisões inteiras de aprendizado não linear, como por exemplo os campos da hermética, alquimia, e astrologia. “Apenas os loucos andam em círculos,” advertiu Santo Agostinho. No início da era moderna, a agressão cresceu ferozmente. A Reforma não apenas causou um ataque renovado nos feriados pagãos, mas também popularizou o acerto dos relógios, calendários, e diários que permitiam as pessoas empregarem o tempo como um meio eficiente para um fim linear – seja divindade, riqueza, ou conquista. Mais recentemente, o ocidente começou a usar a tecnologia para reduzir as evidências físicas de ciclos naturais. Com luz artificial, acreditamos superar o ciclo dormir/acordar; com o controle climático, o ciclo sazonal; com a refrigeração, o ciclo da agricultura; com a alta tecnologia na medicina, o ciclo de descanso / recuperação.

A visão linear triunfante moldou o próprio estilo ocidental e (especialmente) a civilização norte americana. Anteriormente, quando o tempo cíclico reinava, as pessoas valorizavam a paciência, ritual, as relações das partes com o todo, e o poder de cura do tempo na natureza. Hoje, valorizamos a pressa, iconoclastia, a desintegração do todo em partes, e o poder do tempo fora da natureza.

Antes, o paradigma numérico dominante para mudança era quatro, originalmente um símbolo feminino na maioria das culturas. Nos grandes grupos de quatro das estações, direções, e elementos, o quarto elemento sempre circula retornando aos outros. Hoje, o paradigma predominante é três, originalmente um símbolo masculino. Nas grandes tríades do cristianismo e da filosofia moderna, o terceiro elemento sempre transcende os outros. Antes, as pessoas prezavam a habilidade para predizer a energia da natureza e usá-la. Hoje, prezamos a habilidade de desafiar a energia da natureza e superá-la.

¹Figura da morte na cultura cristã

²Deusa da morte na cultura hindu

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